CIDADANIA & PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS & Deficientes Visuais Fernando Gutman em 01 Fev 2009
A VISÃO DOS SENTIDOS
Comentário sobre o artigo “Ceguinha” também assina cheque publicado hoje, domingo, 01 de fevereiro de 2009, na página 7 (OPINIÃO) do jornal O GLOBO.
O trabalho de reabilitação realizado pelo Instituto Benjamin Constant - IBC - utiliza várias técnicas, sendo o Teatro uma delas, cujo objetivo é aumentar a auto-estima do deficiente visual, permitir-lhe perceber seus potenciais, incluindo os de mobilidade, de decorar textos, de trabalhar em equipe, de confiar no seu parceiro, de fazer outros rirem – não apenas se emocionarem com a sua situação – de rir inclusive de situações reais pelas quais tenham passado.
Após a reabilitação – que pode durar de dois a três anos – os atores passam a fazer parte do Grupo de Teatro GENTE, criando esquetes sobre “Inserção”; por que entre aspas? Porque o que buscamos “inserir” é a sociedade no mundo dos que não possuem o sentido da visão. Mas possuem – e como sabem usá-los – os outros sentidos, vendo a vida de forma diferente das que nós, videntes, a vemos, mas com certeza com a amplitude necessária para se tornarem grandes homens e mulheres.
Não se trata de tergiversar sobre a forma de denominação – pessoas com deficiência, portador de deficiência, cego, ceguinho, pessoas com necessidades especiais – porque não é esse o ponto. A luta passa pela mudança do conceito de “Inserção”: por que eles devem ser inseridos no “nosso” mundo e não nós que devemos ser “inseridos” num mundo que use de forma equilibrada os sentidos (olfato, paladar, tato, audição e até mesmo a visão)?
Chega de categorias reducionistas na sociedade; não existe as dicotomias entre: cegos e videntes; brancos e negros; pobres e ricos; cegos e videntes; menores e crianças; servidores públicos e privados; índios e civilizados; capitalistas e comunistas.
Qualquer tentativa nesse sentido é uma generalização que só pode trazer cizânia entre as pessoas, que ainda podem ser dignas de serem chamadas de “seres racionais” ou “homo sapiens”.
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