POLÍTICA & América Latina Fernando Gutman em 22 Nov 2008
A Integração Latinoamericana como resposta à crise internacional
A crise que atravessa atualmente a economia mundial é, sem dúvida, a mais profunda desde a grande depressão dos anos 30; é uma crise estrutural, que coloca em xeque todo o ordenamento financeiro do pos-guerra.
Já na década de 60, se sentiam os efeitos de uma potencial perda da hegemonia americana, frente ao crescimento espetacular do Japão e de alguns países europeus (Alemanha, Inglaterra, França), o que levou à desestabilização do Sistema Monetário Internacional vigente, sustentado basicamente no dólar norteamericano.
Na década de 70, ocorreram vários “choques”: suspensão da convertibilidade do dólar em ouro - pelos EUA - , os aumentos dos preços de petróleo (1974 e 1978); e, em 1982, a chamada “crise de pagamentos”, inclusive com a moratória brasileira.
Na década de 90, a derrocada da URSS teve efeitos antes inimagináveis na geopolítica mundial, com a criação de várias repúblicas no leste europeu e as mudanças políticas nos ex-aliados da Rússia.
A crise atual ocorre, não apenas em problemas vinculados às atividades econômicas (produção e comércio), mas também nos aspectos financeiros: queda de produção, redução dos investimentos, aumento do desemprego, aceleração de proceso inflacionário, redução da demanda e a consequente queda no comércio internacional, reforço de práticas protecionistas.
E quais as consequências dessa crise para os países da América Latina?
. a recessão nos países industrializados e as práticas protecionistas reduzem a demanda por matérias primas e outros insumos provenientes da região;
. aumentos nas taxas de juros afetam diretamente os serviços da dívida externa e aumentam o deficit na conta corrente da balança de pagamentos
A resposta à crise passa pela INTEGRAÇÃO DA AMÉRICA LATINA. Vários esforços nesse sentido já foram realizados desde o início da década de 60: ALALC, ALADI, Mercado Andino, Mercado Comum Centroamericano (MCCA), Comunidade do Caribe (CARICOM), Sistema Econômico Latinoamericano (SELA), PActo Amazônico, MERCOSUL etc
A tarefa não é simples, já que em primeiro lugar há que vencer um natural ceticismo com relação aos procesos de integração, por parte dos empresários, trabalhadores e dos próprios governos. Mas é fundamental entender o papel da integração como o único caminho que tem nossos povos para poderem alcançar estágios superiores de desenvolvimento econômico e social.
Urge perceber que, qualquer que sejam as características sociais e políticas dos países da América Latina, o aspecto comum é que todos (com exceção de Cuba) são províncias - em maior ou menor grau - do Império Americano; e que aos EUA interessa os conflitos entre Brasil e Argentina, Brasil e Equador, Brasil e Bolívia, Chile e Argentina, Peru e Equador, Colômbia e Venezuela, Colômbia e Equador etc.
Que os líderes desses países se unam, resolvam os impasses, busquem, na compreensão de cada uma das realidades e especificidades, a energia necessária para romper os grilhões que nos prendem, latinoamericanos, a um presente mesquinho e injusto, e transformem esse continente num espaço de fraternidade, justiça social e qualidade de vida digna da nossa condição de ser humano.
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